quinta-feira, 17 de março de 2011

Bucólica Morada


Bucólica Morada

A chuva fina que cai me faz lembrar a fria manhã do mês de junho, enquanto eu observava a serra que mais parecia uma noiva coberta por um delicado véu.
Eu queria deixar de olhar, mas era como se meus olhos estivessem entorpecidos ao admirar a formosura daquele lugar. Na hora apenas abracei quem eu amava ao perceber suas lagrimas silenciosas.
Hoje o teu silencio para mim se tornou canção, talvez eu esteja ouvindo a toada que estava no seu coração, e naquele momento eu não soube cantar.
Cá donde estou, envolvida no manto que não tem o mesmo aconchego do teu abraço posso observar um pedaço daquela serra e fico a imaginar: O véu branco baixou, ou a magia dela a ergueu até as nuvens? Parece que ouço sons de lamentos vindos de lá. Será uma viola que chora, ou será ele ainda a cantar?
Creio que por aquelas estradas não mais voltarei a passar, nem a olhar para o vale de montanhas onde alguém edificou a bucólica morada, donde imagino viver uma família tal qual eu sonhara na minha juventude.
Todos os dias eu acredito viver o auge da dor, no dia seguinte ela é maior.
Somos mesclados, eu você e a serra, acredito que a tristeza que sinto, parte venha dela e outra de você, então nada do que sinto, sinto só.
Talvez o lamento que ouço seja somente os ecos dos meus choros, e porque não também dos seus? O que será que brotou onde teu pranto tocou?
Não posso ouvir o ponteio de uma viola ou o choro de uma sanfona que me ponho a “viajar”, seja dia seja noite por aquelas terras em meus pensamentos eu posso morar. Sonhe também e me encontre lá. Fique na rede, te levo água fresca para matar a tua sede, vinho para te alegrar, toque a viola pra mim e cante aquela canção que está no teu sonhar, antes me acolha no teu abraço, para me libertar do cansaço..., da dor.
La em meus sonhos você é livre feito uma andorinha, e eu posso te prometer nunca mais te perder, posso fazer com que você nunca mais pense em me deixar.
Para sempre lá viveremos, a terra será nossa melhor amiga, nos dará sempre boas colheitas, e quando for à hora ela acolhera nossos corpos velhos e cansados, nossas almas lá continuarão juntas por toda a eternidade. Quem quer que passe por lá nunca haverá de não notar a formosura do nosso pomar, nem deixará de ouvir você a dedilhar, e tentando ser afinada, baixinho eu a cantar: “Moro num lugar numa casinha inocente do sertão de fogo baixo aceso no fogão, fogão a lenha ai, ai... Que vida boa...”

Por Fran


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